Corrida da descarbonização: agora nas pistas de automobilismo

A escalada da descarbonização no mundo tem impactado de modo preponderante o setor automotivo, onde tanto a propulsão quanto a matéria prima e processos utilizados para a fabricação dos veículos estão sendo reinventados.

Neste contexto, o impacto climático tem sido um desafio para o esporte: como sustentar o automobilismo neste cenário?

Por se tratar de uma prática de entretenimento que acarreta emissão de CO2, as competições automobilísticas entraram em declínio nos últimos tempos. Porém, ao levarmos em consideração que as pistas de corrida funcionam como grandes laboratórios onde frequentemente surgem inovações para a mobilidade do dia-a-dia, é possível visualizar uma janela para a continuidade deste esporte.

Diversas categorias iniciaram as apostas para alcançar a sustentabilidade através de inovação tecnológica e estratégias que adaptam a competição ao compromisso ambiental. Soluções como combustível feito a partir de resíduos biológicos, reciclagem de rejeitos plásticos, além de aperfeiçoamento do automobilismo a partir da eletrificação – como a otimização de baterias para uma recarga ultrarrápida e a criação de postos de recarga movido a hidrogênio.

As metas estipuladas pela Fórmula 1, Fórmula E, Extreme E e Rally dos Sertões definem práticas verdes dentro e fora das pistas, incluindo toda a cadeia logística e de eventos, através do uso de fontes de energia limpa, promovendo o uso de copos e talheres mais sustentáveis e realizando uma melhor gestão de resíduos – desde as garrafas de água, até o óleo dos motores.

O reaquecimento deste esporte dá largada à inovação do setor automobilístico e aumenta os atrativos para as montadoras a partir de um cenário tecnológico mais promissor.

Escalada energética: um esforço que vale a pena

A escalada global rumo à eletrificação dos meios de transporte depende de diversos fatores: tecnologia e recursos disponíveis, infraestrutura compatível, poder de compra de empresas e população, economia e atuação dos governos.

O processo de descarbonização dos meios de transporte, que visa a diminuição da pegada de carbono tanto na produção quanto no uso destes veículos, exige um alto investimento em diversas etapas:

Para as montadoras, atribui-se a responsabilidade da pesquisa e desenvolvimento de veículos eficientes e de baixo impacto, o que requer, em muitos casos, a remodelagem do processo fabril e emprego de diferentes fontes de matéria prima e energia.

Além disso, veículos especiais como caminhão dos bombeiros, da coleta de lixo e demais necessidades precisarão passar por uma compatibilização de mecanismos. A CPFL, que precisa de caminhões com cesto aéreo para instalações e reparos, já iniciou parceria com montadoras para desenvolver uma solução personalizada.

No âmbito público, a necessidade de uma infraestrutura que atenda as demandas deste novo tipo de frota envolve ampliação de subsídios e planejamento urbanístico que contenha centros de geração de energia limpa, pontos de abastecimento, além da implantação de rede elétrica para comportar os ônibus elétricos.

É também responsabilidade dos municípios, estados e nações incentivar, através de políticas cada vez mais duras, a redução da emissão de gases. No Brasil, a promessa é de que até 2030, 40% das emissões sejam cortadas.

A adoção do público aos veículos elétricos tende a ser orgânica e, segundo os estudos apresentados pelo instituto de pesquisa BloombergNEF a pedido do site Transport & Environment, o maior incentivo será o barateamento da tecnologia – é previsto que, na Europa, até 2027 o custo de um veículo elétrico seja igual ao de um modelo à combustão, podendo até mesmo se tornar mais barato futuramente.

As previsões mostram que estamos no caminho certo: o alto investimento trará um alto retorno econômico, social e ambiental.