Saiba tudo sobre as soluções de mobilidade utilizadas nas Olimpíadas de Tóquio

Com a meta de que esta seja a Olimpíada de menor emissão de poluentes da história, o Comitê Olímpico firmou parceria com a Toyota – fabricante de automóveis japonesa – para assumir os desafios de mobilidade e prover o transporte necessário durante os Jogos de forma sustentável e inteligente.

Totalizando 3.700 veículos para transportar 11.500 atletas e outras 79 mil pessoas (entre equipes de apoio e staff), a Toyota conta com 90% da frota composta por veículos elétricos. Confira as soluções elétricas apresentadas pela montadora:

Sora

O Sora é um modelo de ônibus elétrico capaz de transportar 78 pessoas, por meio de células de combustível movidas a hidrogênio – responsável por produzir eletricidade. Apesar de ser uma alternativa carbono-zero, a tecnologia não é 100% limpa – o gás de hidrogênio utilizado para abastecer o veículo é extraído da natureza.

O modelo é automatizado, contando com sensores inteligentes que advertem o motorista sobre farol vermelho adiante, além de alertar a presença de objetos, pedestres e ciclistas ao redor do ônibus. Possuem um sistema integrado de informações onde dados sobre tráfego são compartilhados entre si, além de poderem ser utilizados como geradores de energia em caso de apagão.

Mirai

Constituído da mesma tecnologia do Sora, o Mirai é um sedan espaçoso que chama a atenção por precisar de apenas 3 minutos para ser abastecido a gás – uma grande diferença em relação aos concorrentes elétricos, que demandam mais tempo para carregar suas baterias. Os Jogos Olímpicos estão servindo de vitrine para esta novidade – que a Toyota faz grandes apostas – embora existam poucas estações de hidrogênio no mundo.

APMs

Accessible People Mover, ou “transportador acessível de pessoas”, são carrinhos que chegam a 19km/h, criados para auxiliar pessoas com necessidades específicas e também unidades de emergência dentro dos locais de prova. Ele vem em dois modelos: um com 5 lugares além do motorista, e outro com 2 lugares além do motorista, com espaço para uma maca.

BEVs

Foram desenvolvidos também alguns veículos elétricos individuais, pensados para a equipe médica e de segurança. Os BEVs contam com três modelos:

  • Opção de uso sentado;
  • Opção de uso em pé, e
  • Dedicado a cadeirantes, onde a cadeira de rodas é acoplada ao veículo.

E-pallets
A Vila Olímpica e Paraolímpica contam com os e-pallets, veículos autônomos que circulam em loop, com seu trajeto sendo monitorado por um operador. São capazes de transportar até 20 passageiros, parando em locais estratégicos que facilitam o acesso de pessoas com dificuldades de mobilidade.

Concept-i
Criado para a última prova das Olimpíadas – a maratona – o veículo será o carro-guia do esporte. Operando no nível 4 de autonomia (o maior), sua principal função é mostrar para o mundo as possibilidades da tecnologia autônoma. O modelo até mesmo conta com AI capaz de entender a fala humana.

Corrida da descarbonização: agora nas pistas de automobilismo

A escalada da descarbonização no mundo tem impactado de modo preponderante o setor automotivo, onde tanto a propulsão quanto a matéria prima e processos utilizados para a fabricação dos veículos estão sendo reinventados.

Neste contexto, o impacto climático tem sido um desafio para o esporte: como sustentar o automobilismo neste cenário?

Por se tratar de uma prática de entretenimento que acarreta emissão de CO2, as competições automobilísticas entraram em declínio nos últimos tempos. Porém, ao levarmos em consideração que as pistas de corrida funcionam como grandes laboratórios onde frequentemente surgem inovações para a mobilidade do dia-a-dia, é possível visualizar uma janela para a continuidade deste esporte.

Diversas categorias iniciaram as apostas para alcançar a sustentabilidade através de inovação tecnológica e estratégias que adaptam a competição ao compromisso ambiental. Soluções como combustível feito a partir de resíduos biológicos, reciclagem de rejeitos plásticos, além de aperfeiçoamento do automobilismo a partir da eletrificação – como a otimização de baterias para uma recarga ultrarrápida e a criação de postos de recarga movido a hidrogênio.

As metas estipuladas pela Fórmula 1, Fórmula E, Extreme E e Rally dos Sertões definem práticas verdes dentro e fora das pistas, incluindo toda a cadeia logística e de eventos, através do uso de fontes de energia limpa, promovendo o uso de copos e talheres mais sustentáveis e realizando uma melhor gestão de resíduos – desde as garrafas de água, até o óleo dos motores.

O reaquecimento deste esporte dá largada à inovação do setor automobilístico e aumenta os atrativos para as montadoras a partir de um cenário tecnológico mais promissor.

Como a pandemia tem prejudicado e beneficiado o setor de automóveis

As notícias frequentes sobre a paralisação de fábricas de automóveis por conta da falta de componentes mostram um dos efeitos negativos da pandemia no campo dos negócios, onde as montadoras se vêem obrigadas a lidar com um maior custo de produção, pessoal reduzido e sérios problemas de logística. Além disso, o estado de São Paulo começou o ano encarecendo as alíquotas do ICMS, mesmo em meio a protestos das revendas.

Todos estes obstáculos do segmento acabam impactando o consumidor final: o preço médio dos veículos leves já cresceu 11% em 6 meses.

“Pelas regras normais de elasticidade [do mercado], esse reajuste deveria significar uma redução no volume de vendas de 45% a 60%, dependendo do segmento, uma vez que salários e rentabilidade de ativos financeiros não chegaram nem perto desses valores”, disse Cassio Pagliarini, da Bright Consulting.

Porém, isso não aconteceu, uma vez que o volume de vendas deste ano se assemelha ao de 2019 e existem filas de espera para as linhas que estão paralisadas por falta de componentes. As vendas acumuladas já são 30% maiores do que no mesmo período do ano passado. Pela menor disponibilidade no mercado, os clientes estão aceitando adquirir veículos por um preço mais alto, sem descontos. Até mesmo carros concorrentes, não tão visados, estão ganhando destaque nas vendas através de promoções e ofertas especiais.

O motivo principal para a grande procura por automóveis é o cenário pandêmico – o dinheiro que inicialmente seria destinado a viagens e cursos ficou estagnado, fazendo com que o brasileiro migrasse para o consumo imobiliário e automobilístico.

Com a vacinação em massa e gradativa normalização da cadeia de suprimentos, o mercado retornará à sua elasticidade usual, onde os veículos mais procurados continuarão com um bom desempenho. Já os não tão procurados (principalmente os mais baratos), precisarão de maior esforço para retomar a competitividade.