Como a pandemia tem prejudicado e beneficiado o setor de automóveis

As notícias frequentes sobre a paralisação de fábricas de automóveis por conta da falta de componentes mostram um dos efeitos negativos da pandemia no campo dos negócios, onde as montadoras se vêem obrigadas a lidar com um maior custo de produção, pessoal reduzido e sérios problemas de logística. Além disso, o estado de São Paulo começou o ano encarecendo as alíquotas do ICMS, mesmo em meio a protestos das revendas.

Todos estes obstáculos do segmento acabam impactando o consumidor final: o preço médio dos veículos leves já cresceu 11% em 6 meses.

“Pelas regras normais de elasticidade [do mercado], esse reajuste deveria significar uma redução no volume de vendas de 45% a 60%, dependendo do segmento, uma vez que salários e rentabilidade de ativos financeiros não chegaram nem perto desses valores”, disse Cassio Pagliarini, da Bright Consulting.

Porém, isso não aconteceu, uma vez que o volume de vendas deste ano se assemelha ao de 2019 e existem filas de espera para as linhas que estão paralisadas por falta de componentes. As vendas acumuladas já são 30% maiores do que no mesmo período do ano passado. Pela menor disponibilidade no mercado, os clientes estão aceitando adquirir veículos por um preço mais alto, sem descontos. Até mesmo carros concorrentes, não tão visados, estão ganhando destaque nas vendas através de promoções e ofertas especiais.

O motivo principal para a grande procura por automóveis é o cenário pandêmico – o dinheiro que inicialmente seria destinado a viagens e cursos ficou estagnado, fazendo com que o brasileiro migrasse para o consumo imobiliário e automobilístico.

Com a vacinação em massa e gradativa normalização da cadeia de suprimentos, o mercado retornará à sua elasticidade usual, onde os veículos mais procurados continuarão com um bom desempenho. Já os não tão procurados (principalmente os mais baratos), precisarão de maior esforço para retomar a competitividade.

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