“Netflix dos veículos” se torna aliada da mobilidade elétrica no Brasil

Diversas montadoras já estão apostando no serviço de assinatura de veículos.


Apesar de existirem poucas opções no Brasil, a demanda por carros elétricos é crescente. A tendência da mobilidade elétrica enfrenta obstáculos de custo que podem ser contornados, por ora, através de serviços de assinatura.

Segundo Ricardo Bacellar, sócio líder para a indústria automotiva da KPMG, a assinatura de veículos “Pode ser uma entrada porque diminuiu a percepção de custo de aquisição e ajuda a atingir um volume significativo de vendas, o que poderia viabilizar e facilitar a produção local.”

De acordo com a SAE Mobilidade 2021 – pesquisa realizada pela KPMG em parceria com a SAE Brasil e apoiada pela Anfavea, cerca de 90% dos entrevistados gostariam de adquirir veículos elétricos e híbridos, e desejam mais opções à disposição. Além disso, grande parte dos respondentes estão abertos a novos conceitos de mobilidade, alternativos à compra de veículos.

Várias montadoras como Audi, Caoa, Fiat, Jeep, Nissan, Renault, Volkswagen e Toyota se lançaram no mercado de assinatura de veículos, onde o cliente faz uma assinatura mensal que dá direito a utilizar o carro sem se comprometer com manutenção e custos como seguro e IPVA.

“O potencial a ser explorado é bastante significativo se considerar que esse modelo reduz o custo de aquisição e posse, que se mostram importantes para o consumidor”, alega Bacellar. “A estratégia para veículos por assinatura não precisa ficar confinada só a modelos zero quilômetro, incluir usados pode abrir uma oportunidade para novos programas de fidelidade, criando um novo ciclo de vendas de veículos no Brasil.”

O Talibã pode balançar o mercado de carros elétricos

Muito tem se falado sobre o Afeganistão nos últimos dias por conta do retorno do Talibã – grupo extremista anteriormente deposto pelo exército americano, que está causando um desequilíbrio geopolítico e humanitário grave.

Por possuir reservas minerais – entre elas, o lítio usado nas baterias – que somadas representam um montante de US$ 1 trilhão, surgiu o questionamento sobre como (e se) ocorrerão as exportações do material.

Apesar de a China ser a maior produtora mundial de lítio, a crescente tendência para carros elétricos pressupõe um aumento na demanda do metal – segundo a Agência de Energia Internacional, será uma alta no consumo de lítio de 40% até 2040.

A preocupação consiste na abertura para negócios no longo prazo, uma vez que os países Chile, Austrália e Argentina também possuem grandes reservas do metal.

No encalço deste tema, foi anunciada recentemente a produção australiana dos primeiros protótipos comerciais de baterias de íons de alumínio – uma opção muito mais sustentável e de matéria prima abundante.

Resta acompanhar atentamente quais serão os próximos eventos que irão interferir na balança do mercado.